| 2004
I
/ II
I
Graças a Deus
está a ser recolhido o último espólio vivo da tradição oral do
Concelho da Pampilhosa da Serra.
Em boa hora, mas
com algumas horas de atraso, alguém teve a iniciativa de não
deixar morrer, com o desaparecimento dos mais velhos, as lendas, os
contos e as rezas.
Penso, também, que
a Pampilhosa da Serra ainda dispõe de um património rural de fazer
inveja aos antiquários. Deveria ser adquirido o valioso património
que se destrói cada vez que se mexem nas casas antigas. Não sei o
que tem sido feito. Porém, existem casas antigas, que às vezes
até querem que sejam derrubadas para daqui a uns séculos os
arqueólogos descobrirem os seus alicerces, que possuem
características e sinais que deveriam ser estudadas ao pormenor.
Resta-me deixar
aqui uma consideração interessante – repararam que existem aqui
orações, rezadas em diferentes Aldeias, que são parecidas com as
que eram rezadas em nossas casa, com pequenas diferenças. Será que
isto não terá a haver com os casamentos que se faziam entre os
povos locais.
Resta-me agradecer
ao amigo Gonçalves todo o seu trabalho em favor deste povo
sacrificado e esquecido pelo poder político.
Já agora deixo a
sugestão de se reproduzirem peças do espólio das aldeias,
nomeadamente o religioso. Por meu lado irei tudo fazer para recolher
do meu pai um pouco do que tanto sabe e nunca esqueceu.
Um abraço a todos
e feliz Natal
II
Rogério Simões.
Tão importantes como
os documentos escritos herdados dos nossos antepassados são os
textos orais que espelham o saber da experiência feita e
constituem o centro das instituições sociais. Constituem
preciosos tesouros que reflectem a existência de factos sociais,
religiosos, psicológicos e simbólicos que os ditos " textos
mantém em depósito sob a forma de signos
linguistícos". Fazem parte dos textos orais, da tradição
oral: os contos, os provérbios, as advinhas,as cantigas, as lendas
mitológicas e históricas, a antroponímia, a toponímia, as
conversas, entre outras, que é preciso inventariar e divulgar para
que as novas gerações conheçam a sua identidade individual e
colectiva.
Uma vez que os depositários de tal saber são cada vez menos, é
louvável todo o trabalho de recolha se faça no sentido do seu
registo.
Parabéns aos seus obreiros e às instituições que os apoiam.
Carlos Bento
2005
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