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Bom
seria, e aqui fica o apelo, que as gentes mais antigas procurassem nas
suas recordações de tempos passados lengalengas, orações,
benzeduras e coisas do género que conheceram na infância, e que eram
transmitidas por via oral aos mais novos, de geração em geração, e
ainda hoje continuam a encantar os que do passado ainda conservam a
memória.
E é
nesse esforço de memória que recordo esta lengalenga:
I
- Quem
te pôs a mão no bico?
- Foi
uma velha chocalheira
- Que
anda à borda da ribeira
- Varre
bem, varre mal
- Vai-se
pôr no seu real
Ou esta, para
aprender a contar até 10
II
- Una
- Duna
- Tena
- Catena
- Cigarra
- Migarra
- Carrapi
- Carrapau
- Conta bem
- Que já são dez
III
Em
continuação do objectivo de trazer a este espaço as lengalengas
de outrora, rememorando brincadeiras ou formas de vida que há muito
passaram à história, aqui vai mais uma recordação desses tempos
de folguedos simples e marcadamente infantis, uma outra versão da
que já referi anteriormente:
- Pico, pico,
sardanico
- Quem te deu
tamanho bico?
- Foi a vaca
chocalheira
- Que põe ovos
em manteiga
- Para a filha
do juiz
- Que está
presa na cadeira
- Pela ponta do
nariz
Ou uma outra forma de
aprender a contar, algo diferente daquela que recordei.
IV
- Una
- Duna
- Tena
- Catena
- Forreca
- Chirreca
- Vira
- Virão
- Conta bem
- Que dez são!...
E quem não se lembra
das brincadeiras das crianças, no jogo das escondidas, com esta
lengalenga a determinar qual delas se ia esconder e todas as outras
procuravam
V
- Salta a
pulga da balança
- Dá um
estouro até à França
- Os
cavalos a correr
- As
meninas a aprender
- Qual
será a mais bonita
- Que se
vai esconder!...

VI
Surrebico,pico,pico,
quem te pôs a mão no bico,foi a gata chocalheira que
anda à roda da fogueira, salta pulga da balança bai
morrer a Vila França ,os cavalos a correr as meninas a
aprender qual será a mais bonita que se bai esconder.
In
Carvalho e suas gentes
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