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Reza - (mal do olho) 
Reza - (olhos)
Oração (para o queimado)
Oração (para o queimado II)
Oração (para tirar o quebranto) II
Oração (para tirar o mau olhado)
Oração - (para curar o cobranto III)
Oração (para tirar o quebranto) IV
Oração (para tirar o quebranto) V
Orações ao deitar
Oração por nós
Oração "Senhor do Bom Conforto"
 

Oração para quando se falta à missa 

"Chamou, pois, Moisés a todo o Israel, e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e preceitos que hoje vos falo aos ouvidos, para que os aprendais e cuideis em os cumprir (…)

IV - Guarda o dia do sábado, para o santificar, como te ordenou o senhor teu Deus; seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem assim como tu. Lembra-te de que foste servo na terra do Egipto, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia do sábado" (in Bíblia Sagrada - Livro de Deuteronómio, capítulo 5). 

À semelhança da generalidade da população portuguesa, o povo da parte sul do concelho pampilhosense professa a religião católica e procura, tanto quanto possível, observar os seus mandamentos. 

Assim, os mais anciãos, quando em dia de missa e ao chamamento dos sinos da igreja paroquial, verificam que, por qualquer afazer ou impossibilidade, não podem assistir à homilia, dizem a seguinte oração: 

Já tocam à missa
Ó meu Deus Salvador
Hóstia consagrada
Corpo do Senhor
Se houver alguma sentença a dar
Para mim ou para a minha geração
O Menino Jesus seja o meu escrivão
Que eu tenha quinhão na missa
Como aqueles que lá vão

Findas estas palavras, rezam um Pai Nosso e uma Avé-Maria. 

Recolhida a D. Gracinda da Piedade das Neves – Freguesia de Portela do Fojo
  António Amaro Rosa

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Oração do pastor 

Noutros tempos, quando a pastorícia constituía uma actividade de grande relevância nas aldeias pampilhosenses, eram muitos os jovens que, antes da chamada para o serviço militar ou de migrarem para Lisboa, calcorreavam montem e encostas na tarefa de guardar os seus rebanhos. Era um tempo de grandes rebanhos de cabras e em que ainda havia lobos que atacavam o gado ou raposas a assaltar capoeiras, bem como era frequente verem-se os corvos a esvoaçar, crocitando ameaçadoramente sobre o gado indefeso e assustando os pastores que, ao aperceberem-se da sua proximidade, começavam a rezar orações para que eles não atacassem as crias dos seus rebanhos. Recordo uma dessas orações: 

Oração do pastor 

Ó corvo, corvo do pecado,
não me leves o meu gado,
que este gado não é meu,
foi a Virgem que mo deu.
Passa além deste ribeiro,
vai ali àquele outeiro,
que está lá o teu pai morto,
enfiado num ganhoto.
Come a carne e deixa o osso
para amanhã pró teu almoço.

(e o pastor rezava esta oração em voz tão alta quanto podia, esbracejando, de modo a espantar o corvo para longe)

Aníbal Pacheco

 

Reza do Quebranto

 

iz-se que uma pessoa padece do Quebranto quando se queixa de fortes dores de cabeça, fraqueza ou prostração. Pode ainda querer significar aqueles períodos de má sorte ou azar persistente ou duradouro.

Estes estados físicos e/ou de espírito são muitas vezes fruto de um mau-olhado ou de inveja por parte de outras pessoas, mas também podem ser o resultado inadvertido da cura do Quebranto por parte de uma pessoa que estava muito longe, pois como vamos ver em seguida, esta maleita "propaga-se" através do vento.

Versão I

A Reza do Quebranto é feita por uma pessoa que não aquela que padece. Pode ser um familiar, um vizinho ou um amigo.

Pegam-se em dois pauzinhos de um "vassouro", de mato velho e seco, e põem-se ao lume, um de cada vez, até ficarem brasa. Depois pega-se num desses pauzinhos e parte-se em pedaços mais pequenos para dentro de uma malga com água.

Ao colocá-los para dentro da malga dizemos as seguintes palavras:

Se é Quebranto, eu te espanto
Se é olhado, vai para o telhado
Se é Quebranto, eu te espanto
Se é olhado, vai para o telhado

Depois, a pessoa que diz a reza molha os dedos na água da malga e faz o sinal da cruz na testa daquele que padece do Quebranto.

Se os pedacinhos ficam à tona de água, é sinal que a pessoa não tem o Quebranto. Ao invés, se forem para o fundo, tal significa que sofre daquele mal.

A dúvida dissipa-se mais facilmente se os pedacinhos ficarem cruzados no fundo da malga. Repete-se este procedimento umas três vezes para se obter uma resposta clara.

Posto isso, faz-se novamente o sinal da cruz nas costas da pessoa do paciente com a malga e dizemos novamente:

Se é quebranto, eu te espanto
Se é olhado, vai para o telhado
Se é quebranto, eu te espanto
Se é olhado, vai para o telhado

Em seguida, o paciente pega na malga e dirige-se a uma encruzilhada (a um cruzamento ou entroncamento de várias estradas). Depois, vira-se de costas para o lado em que vai atirar a água contida na malga. Posto isso, atira o líquido por cima do seu ombro direito e vai-se embora sem olhar para trás.

Caso alguém pise a água que ficou no chão da encruzilhada, ela não contrairá o Quebranto, pois esse foi levado pelo vento para outras paragens.

Versão II

A seguinte reza também serve para curar o Quebranto, mas desta feita sem necessidade do rito atrás descrito. Pode-se dizê-la em qualquer lugar, até de uma janela:

 

Conforme é certo nascer
o menino de Deus em Belém
Assim seja certo tirar o quebranto,
mau olhado, ou mal de inveja, ou todo o mal atravessado
 
Se [o nome da pessoa] o tem,
vá tudo para o mar salgado.

E cospe-se para um dos lados. Para obter melhor resultado convém até cuspir entre cada uma das palavras.

 

Recolhida na Freguesia de Portela do Fojo
António Amaro Rosa

REZA -(para curar o cobrão)

Arranjam-se umas palhas de alho e queimam-se reduzindo-as a cinza. Junta-se seguidamente o azeite. Untam-se os frunchos com o preparado durante dois ou três dias. No primeiro dia unta-se de manhã e à noite, no segundo a qualquer hora, durante dois dias. Se forem três dias uma vez por dia. Não se pode lavar a parte do corpo doente e sempre que se lava deve vestir-se roupa lavada. Antes se untar-se diz-se:
- Que tens tu?
- Tenho um cobro
- Aqui te corto, cabeça e rabo e o corpo todo.
- Que tens tu?
- Tenho um cobrão
- Aqui te corto, cabeça e rabo e o coração.
-
Esta reza diz-se três vezes

Recolha feita por.- Ana Paula Loureiro Branco
Dita por., Prinw Maria Agusta (Maria A ugusta Gonçalves de Almeida)
Local e data da recolha. Carvalho

REZA - (para curar a ersipela)

De onde vindes vós?
Venho de Roma, meu Divino Senhor.
- Que Vistes vós lá? Muita Ersipela e Ersipelão.
- Então, volta para trás e vai curá-la.
- Com quê, meu Divino Senhor?
- Com água da fonte e pasto do monte e azeite de oliba e gnipo de lã de ovelha viva.
Reza-se três vezes, e no final um Padre Nosso.
Enquanto se dizem as palavras deita-se azeite numa tigela e com um bocadinho de lã de ovelha viva molha-se o sítio afectado. 

Recolha feita por: Ana Paula Loureiro Branco
Dito por.- Prima Maria Agusta ( Maria Augusta Gonçalves de Almeida)
Local e data da recolha: Carvalho. Páscoa do ano de 1996

REZA - (para curar os trissõs)

Para que o trissô desapareça diz-se que é preciso enganá-lo.
Se a pessoa já comeu deve dizer que não .
Põe-se cuspo na vista, sobre o trissô, faz-se uma cruz e diz-se: Trissô vai-te daqui
Qu'eu ainda hoje
Não comi, nem bebi
Por causa de ti .
Estas palavras dizem-se três vezes.

Recolha feita por.- Maria Antónia C. das Neves
Dito por.- Belmira das Neves
Local e data da recolha: Carvalho

 

REZA - (mal do olho) 



Com um crucifixo faz-se uma cruz sobre a vista e diz-se:
(Fulano/a) benzo a tua vista direita ou esquerda para que Nosso Senhor ta sare e a Milagrosa Santa Luzia ta talhe. Se és cabrita - valha-te Santa Rita; se és carregarão ou farpão valha-te São João; se és unheiro valha-te Deus verdadeiro e o leite da Santíssima Virgem caia dentro da tua vistinha e ta sare. Padre Nosso e A-de-Maria



Recolha feita por.- Maria Antónia C. das Neves
Dito por.- "Ti Conceição"
Local e data da recolha: Carvalho

 

 

REZA - (olhos)

Em nome de Deus e da Virgem Maria da Milagrosa Santa Luzia, eu te benzo para que Nosso Senhor te atalhe; se és cabrita valha-te Santa Rita, se és farpão valha-te São João se és unheiro valha-te Deus verdadeiro para que não cresças nem reberdeças pelas cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amen.

Nota: Esta oração diz-se três vezes e no fim reza-se uma A -de-Maria.


Recolha feita por.- Elisabete Branco dos Anjos Henriques
Dito por.- Maria dos Anjos Alves Loureiro
Local e data da recolha: Carvalho - Primavera de 96

 

ORAÇÃO (para o queimado)

Lorpa e Lerpa tinha três filhas, uma morreu queimada, outra morreu assada e outra nas chamas árder. Foi procurar a Nossa Senhora o que havia de fazer. Cuspinhar e bafejar e o escaldado daqui não há-de passar

Recolha feita por: Maria Antónia C. das Neves
Dito por.- "Ti Conceição"
Local e data da recolha: Carvalho

ORAÇÃO (para o queimado II)

Lorpa e Lerpa tinha três filhas. uma queimou-se outra escaldou-se, outra está nas chamas árder. Foi perguntar a Nossa Senhora o que havia de fazer. Curado e bafejado daqui não seja passado'

Nota. Este oração é dito três vezes em simultâneo é colocada água num recipiente e a pessoa que diz o oração coloca as pontas dos cinco dedos da mão direita na água e vai dizendo o oração em cruz.


Recolha feita por.- Elisabete Branco dos Anjos Henriques (Tita)
Dito por.- Maria do Carmo de Jesus dos Anjos
Data e local da recolha : Primavera de 94 - Carvalho

 

ORAÇÃO (para tirar o quebranto II)

Pega-se numa faca e vai-se fazendo urna cruz na pessoa a tratar, ao mesmo tempo que se vai dizendo (fulano) se o teu mal é quebranto ou quebrantado ou por alguma pessoa má te foi deitado, Deus to há-de tirar que é Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito
Santo Amen.

ORAÇÃO (para tirar o mau olhado)

Sant'ana é mãe da Nossa Senhora, Nossa Senhora é mãe do Senhor, o Senhor é primo de São João conforme estas cinco palavras verdades são, assim seja verdade tirar o mau olhado ou qualquer mal que tenha (esta pessoa este animal).

Nota: Dizem-se estas palavras três vezes e se isto não bastar, basta a graça do Senhor que é grande.

Recolha feita por.- Maria Antónia C. das Neves
Dito por.- "Ti Conceição"
Local e data da recolha: Carvalho

 

ORAÇÃO - (para curar o cobranto III)

Antes de se iniciar a reza para curar o cobranto coloca-se dentro duma malga água e começa-se a dizer:
Conforme é certo o Menino Jesus nascer em Belérn assim seja servido a tirar o mal de inveja ou olhado que esta pessoa tem (diz- se o nome da pessoa) com a graça de Deus para quem o deitou torne. Padre Nosso e Ade-Maria.

Nota: Depois põe-se dentro da mesma tigela as três ou mais brasas pequenas da fogueira ou os troças duma vassoura de lantisca queimada. Se as brasas forem ao fundo é porque a pessoa tem cobranto se ficarem à superfície não.

Oração para tirar o quebranto (AP)

- Maria, tens quebranto?
Dois te deram, três te tirarão
Assim como o Senhor e a Senhora
E o baptismo de S. João
Assim como Jesus Cristo está em Belém
Tira olhado a quem o tem.

Aníbal Pacheco

 
 

Oração a S. Gregório em dias de tempestade

 

S. Gregório se levantou
Seu cajadinho tomou
E pelo caminho
Nossa Senhora encontrou.
E ela lhe perguntou:
- Onde vais Gregório?
- Vou acalmar esta tempestade
Que está sobre nós armada.
- Então vai.
Leva-a para longe
Para muito longe
Onde não haja
Eira nem beira
Nem folha de figueira
Nem pedra de sal
Nem coisa que nos faça mal!
 
(E termina-se esta oração rezando um padre-nosso e uma avé-maria)

Aníbal Pacheco

Oração ao deitar e ao levantar

 

Com Deus me deito
Com Deus me levanto
Com a graça de Deus
E do Divino Espírito Santo

 

A Deus me entrego e à Virgem Maria
E ao Santo e à Santinha deste dia
Que me guarde hoje e amanhã por todo o dia
AMEN

 

Recolhida por António Amaro Rosa a D. Gracinda da Piedade das Neves (Aldeia de Amoreira – Freguesia de Portela do Fojo).

 

Oração para abençoar a cama

A oração que ora se publica era rezada ao final do dia, aquando do repouso no leito. Dizem-nos que tinha o intuito de "nos ajudar a dormir bem e para Deus Nosso Senhor nos ajudar".

Ao mesmo tempo que dizemos os versos que se seguem fazemos o sinal da Cruz nos lugares indicados pela oração:

Cruz de Cristo na testa
Cruz de Cristo na boca
Cruz de Cristo no peito
E Cruz de Cristo na cama onde me deito

 

(E repetimos aqueles versos – acrescidos dos respectivos sinais da Cruz – mais duas vezes. Após isso, dizermos os seguintes versos:)

 

Com Deus me deito
Com Deus me alabanto
Com a graça de Deus
e do Divino Espírito Santo

 

É certo Senhor,
que há Céu e Inferno
Eu ei-de morrer Virgem Santíssima
Nosso Senhor Jesus Cristo
e Sua Mãe Maria Santíssima
Guarde minha alma para a vida eterna
AMEN

Recolhida por António Amaro Rosa a D. Maria de la Salette, no Lugar de Felgueiras (Aldeia de Ribeiro do Soutelinho – Freguesia de Portela do Fojo).

 

Orações ao deitar

I

Com Deus me deito
com Deus me levanto
com a graça de Deus
e do Divino Espírito Santo

 

É certo Senhor
que há céu e inferno
eu hei-de morrer Maria Santíssima
guardai a minha alma
para quando deste mundo for

II

Com Jesus me deito
com Jesus ao lado
com Jesus ao peito
com Jesus crucificado

Recolhida por António Amaro Rosa na Freguesia de Portela do Fojo.

 

Oração por nós

 

Trata-se de uma oração para dizer por nós, e não por alma de alguém, como pode à primeira vista parecer. Geralmente é dita no leito, antes de nos deitarmos:

 

Jesus Cristo disse missa
Numa grande solidão
Seus discípulos vieram com ele
à mesma mesa comer pão:

 

- Andai cá simples meus
que eu vos quero confessar
Amanhã por esta hora
eu vos irei comungar!

 

O meu coração gosta,
o meu sangue vou agravar
Quem esta oração disser
três vezes antes de se deitar
Salvará três almas:

 

Primeiro seu pai,
segundo, a sua mãe,
a sua em primeiro lugar

 

Nem que os pecados sejam tantos,
como o mar tem de areias,
e o campo de flores,
e o céu de estrelas...
 
Quem o souber que o diga
Quem não o souber que o aprenda
No dia do Juízo ganhará o céu de prenda.
AMEN

 

 

Recolhida por António Amaro Rosa a D. Gracinda das Neves (aldeia de Amoreira – Freguesia de Portela do Fojo).

 

 

Oração "Senhor do Bom Conforto"

 

Senhor do Bom Conforto
foste vivo, foste morto
perdoai-nos a nossa morte
que ela é rija e bem forte
perdoai os nossos pecados
que são muitos e errados
 
Fui aos pés do meu confessor
não me soube confessar
confessai-me Vós Senhor
que sabeis quantos eles são
 
Dai-me nesta vida a graça
e na outra a salvação
que a minha alma se não perca
nem eu morra sem confissão
Recolhida por António Amaro Rosa a Maria de la Salette (Aldeia de Ribeiro do Soutelinho – Freguesia de Portela do Fojo).

 
 

 

Temidas por uns, admiradas por outros, as trovoadas não deixam ninguém indiferente. Diz o povo desta parte sul do concelho da Pampilhosa que o "trovejar é a voz de Deus". Fazendo fé nas palavras deste povo, e atendendo ao timbre da Sua voz, conclui-se que O faça em ocasiões de descontentamento.
Então, para apaziguar o Seu ânimo, recorrem os populares (sobretudo elas) à sua advogada, Santa Bárbara, para que interceda pelos fregueses da Portela do Fojo junto Dele.
Eis alguns exemplos:
I
A Magnífica (Ó Senhor)
 
Magnífica ó Senhor
meu espírito, meu salvador
entendei à humildade todos aqueles que O temem
chamarão bem aventurados
aos pobres humildes encheu-os de bens
aos ricos avarentos deixou-os vazios
Ele se lembrou de seu pai Abraão
toda a nossa geração
por todos os séculos dos séculos
 
Glória seja ao Pai
Glória seja ao Filho
Glória seja ao Espírito Santo
assim como é no princípio
Agora e sempre
AMEN
 
Dizemos isto em voz alta e depois rezamos um Pai Nosso. Quando torna a vir um trovão dizemos:
 
Santa Barburinha*
nos livre das trovoadas
e as afaste para bem longe
onde não faça mal e nem prejuízo a ninguém
 
Quanto mais alto dissermos esta oração tanto melhor, pois aonde chega a nossa voz não cai relâmpago nenhum.
 
 
II
Versos a Santa Bárbara
 
Santa Barburinha* bendita
nos acuda
pela vossa infinita misericórdia
nos livre das trovoadas para bem longe
 
Do mesmo modo, quanto mais alto dissermos esta oração melhor, pois até onde ecoa a nossa voz não cai relâmpago algum.
III
Oração cantada
Bendito e louvado seja
o Santíssimo Sacramento
da Eucaristia
do fruto do ventre
sagrado
da Virgem Maria
E sua mãe Maria
Santíssima
 
Recolhidas por António Amaro Rosa a D. Maria de la Salette, no Lugar de Felgueiras (Aldeia de Ribeiro do Soutelinho – Freguesia de Portela do Fojo)

 

 
 
 
Antigamente, toda a roupa era lavada nas margens dos ribeiros, sendo depois estendida nos arbustos para secar.
Ora, não raras vezes sucedia que nessas ocasiões uma cobra, um sapo ou até uma aranha passava por cima da roupa. Assim, a pessoa que vestisse uma peça de roupa pateada por um destes bichos tinha grande probabilidade de vir a ficar com marcas ou bolhas na pele, uma espécie de alergia cutânea: o cobrão.
Tal doença tinha de ser tratada rapidamente, antes que o cobrão "juntasse os pés com a cabeça". Para tanto, tinha de se efectuar o seguinte tratamento:
Dentro de um tacho queimavam-se umas cascas de alho. Às cinzas juntava-se o azeite e depois untava-se a zona afectada pelo cobrão.
Em seguida, dizia-se a seguinte reza, ao mesmo tempo que se "desenhavam" cruzes no ar sobre a zona, com uma faca:
Eu te corto
Cobro e cobrão
Cabeça, rabo e coração
 
Para que não cresças
E não reverdeças
E não juntes os pés com a cabeça
 
 
Recolhida por António Amaro Rosa a D. Maria da Conceição (Aldeia de Folgares - Freguesia de Portela do Fojo).

 
 
 
Trata-se de uma reza utilizada nos casos em que uma pessoa sofria uma queimadura ao lume ou com água quente a fim de aliviar a dor e ajudar à recuperação da zona afectada.
Mas para além das palavras, é necessário um ingrediente: o "unto" ou banha de porco. Hoje em dia compramos o "unto" em embalagens vendidas no talho ou no supermercado, mas antigamente ele era recolhido aquando da matança do porco e guardado numa vasilha ou numa garrafa partida até à matança do suíno seguinte, altura em que era substituída por banha fresca.
Caso uma pessoa sofresse uma queimadura deveria munir-se de um pouco de "unto" e passá-lo na queimadura repetidamente, desenhando cruzes sobre ela, e dizendo as seguintes palavras:
 
 
Passou por aqui Nossa Senhora
E viu andar fogo a arder
E procurou*:
 
Que fogo é este?
É o fogo e ar!
 
Há com que se lh’ apague?
Sim há.
 
Com quê?
Com o unto de porco e o pau da guia,
um Pai Nosso e uma Avé Maria.
 
 
Uma vez ditas estas palavras, reza-se um Pai Nosso e uma Avé Maria.
A Reza do Escaldado é uma curiosa mezinha que merece uma pequena análise.
Por um lado, porque combina dois campos frequentemente opostos: o Sagrado e o Profano. Encontramos o lado Sagrado na medida em que se invoca a figura de Nossa Senhora e exigem-se como requisitos o Pai Nosso e a Avé Maria. E encontramos o lado Profano na medida em que se recorre a um "ritual" pouco comum, com recurso a "ingredientes" também eles pouco habituais - pelo menos aos olhos de hoje.
Por outro lado, porque demonstra a imaginação/sabedoria popular e um certo sentido de reutilização dos materiais disponíveis.
Demonstra, por último, a penúria por que passavam os nossos avós, que se viam obrigados a recorrer, na ausência de assistência médica adequada, a métodos pouco fiáveis para a cura dos seus males.
 
Recolhida por António Amaro Rosa na Freguesia de Portela do Fojo.

 
 
Reza do Quebranto
 
Diz-se que uma pessoa padece do Quebranto quando se queixa de fortes dores de cabeça, fraqueza ou prostração. Pode ainda querer significar aqueles períodos de má sorte ou azar persistente ou duradouro.
Estes estados físicos e/ou de espírito são muitas vezes fruto de um mau-olhado ou de inveja por parte de outras pessoas, mas também podem ser o resultado inadvertido da cura do Quebranto por parte de uma pessoa que estava muito longe, pois como vamos ver em seguida, esta maleita "propaga-se" através do vento.
 
A Reza do Quebranto é feita por uma pessoa que não aquela que padece. Pode ser um familiar, um vizinho ou um amigo.
Pegam-se em dois pauzinhos de um "vassouro", de mato velho e seco, e põem-se ao lume, um de cada vez, até ficarem brasa. Depois pega-se num desses pauzinhos e parte-se em pedaços mais pequenos para dentro de uma malga com água.
Ao colocá-los para dentro da malga dizemos as seguintes palavras:

 

Se é Quebranto, eu te espanto
Se é olhado, vai para o telhado
Se é Quebranto, eu te espanto
Se é olhado, vai para o telhado
 

Depois, a pessoa que diz a reza molha os dedos na água da malga e faz o sinal da cruz na testa daquele que padece do Quebranto.

Se os pedacinhos ficam à tona de água, é sinal que a pessoa não tem o Quebranto. Ao invés, se forem para o fundo, tal significa que sofre daquele mal.

A dúvida dissipa-se mais facilmente se os pedacinhos ficarem cruzados no fundo da malga. Repete-se este procedimento umas três vezes para se obter uma resposta clara.

Posto isso, faz-se novamente o sinal da cruz nas costas da pessoa do paciente com a malga e dizemos novamente:

Se é quebranto, eu te espanto
Se é olhado, vai para o telhado
Se é quebranto, eu te espanto
Se é olhado, vai para o telhado

Em seguida, o paciente pega na malga e dirige-se a uma encruzilhada (a um cruzamento ou entroncamento de várias estradas). Depois, vira-se de costas para o lado em que vai atirar a água contida na malga. Posto isso, atira o líquido por cima do seu ombro direito e vai-se embora sem olhar para trás.

Caso alguém pise a água que ficou no chão da encruzilhada, ela não contrairá o Quebranto, pois esse foi levado pelo vento para outras paragens.

Recolhida por António Amaro Rosa na Freguesia de Portela do Fojo

 

Oração (para tirar o quebranto) V

 

Prato com água onde se coloca 1 pinga de azeite após cada reza (feita sempre em número ímpar). Se esta não se dissipar na água é porque a pessoa mencionada não tem quebranto, se se dissipar é necessário fazer (em número ímpar) a reza até sete vezes para controlar a dissipação do azeite até desaparecer (se possível) ou minimizar a dôr do sofredor.
Reza:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (benzer).
(nome da pessoa a curar) tu tens quebranto, dois te puseram, três te hão-de tirar. De onde este mal veio para lá torne a voltar em nome das três pessoas da Santíssima Trindade que é (benzer) o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ámen.

Enviado por Rosa Pio

 

 

COMENTÁRIOS

1_ "Oração para quando se falta à missa", tal como a "oração do pastor", são duas peças etnográficas de um valor inestimável, que se perderiam a curto prazo, se não tivessem sido resgatadas da tradição oral pela fixação em texto .Muita da  cultura de tradição oral serrana, seguramente riquíssima, perder-se-á  inexoravelmente se não houver a preocupação de a fixar por escrito, tal como fez o saudoso Monsenhor Nunes Pereira, relativamente aos deliciosos "Contos de Fajão". Seria muito interessante que este Site constituísse o ponto de encontro de todos os que possam dar um contributo para a recolha da cultura oral do Concelho de Pampilhosa da Serra, de modo a salvar  um património etnográfico condenado à extinção.


José Barata


 

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